Se é atual e teve sentimento então publico

A Greve Geral e os seus contornos

23-11-2010 19:51

Tudo se conjuga que Portugal assista amanhã à maior greve geral de sempre. Com uma adesão maciça dos trabalhadores de sectores chaves da sociedade como os transportes, escolas, hospitais e demais organismos da administração central e local, mais não é manifestar do elevado descontentamento que se vai espalhando por toda a Europa e da qual Portugal é um dos países mais afectados com a crise generalizada que os países da zona Euro atravessam.

Com o recrudescer dos holofotes de que o próximo país a ser intervencionado possa vir a ser este nosso Portugal, é com espetativa pelo lado dos sindicatos que anseiam por uma forte adesão e um sentimento por parte do Governo que a situação de descontentamento poderá vir a se intensificar, se os mercados continuarem a dar mostras de não acreditar nas medidas severas já tomadas nos diversos PEC's.

Se recuar-mos alguns meses, recordamo-nos a forma como tudo começou.

A Grécia fruto de anos a esconder e maquilhar para a Comissão Europeia os seus verdadeiros números do deficit, viu os seus juros da dívida pública atingirem números absolutamente proibitivos de manter sem o auxílio exterior, apesar da constante indicação do governo de Atenas que tal situação não seria necessário.

Daí a ver-se as ruas das maiores cidades gregas a serem vandalizadas com manifestantes em fúria face às medidas extremamente severas que a União Europeia e o FMI determinaram para ajudar a Grécia a sair da grave crise que atravessava e punha em causa o cumprimento das suas obrigações.

Apesar das medidas impostas, a Grécia continua a ser ameaçada com os países que auxiliam este país a exigir maior rigor (p.ex. Austria e Alemanha), não pagando algumas das tranches da ajuda caso esse rigor não se verifica-se por parte do governo helénico.

Entretanto as taxas de juro mantêm-se em números elevadissimos, rondando os 12%.

Os mercados voltaram-se para a Irlanda, e semanas a fio o governo de Dublin negou a necessidade da ajuda. A escalada das taxas de juro com o receio do incumprimento e com um país a viver uma grave crise bancária, com o governo a ter de salvar alguns dos maiores bancos, provocou uma escalada dos juros até aos 8%, e que não deixou alternativa ao pedido de ajuda à UE e ao FMI.

Apesar das medidas já anteriormente tomadas, hoje mesmo assistimos a que se prepara o governo irlandês a reduzir em 12% o salário mínimo e mais medidas drásticas se preparam. Aliado a tudo isto o governo caiu e o povo prepara-se para eleições em Janeiro.

E agora?

Os mercados antecipam os próximos paises ... Portugal, Espanha e Itália.

Será o tempo que irá decorrer até meados do ano suficiente para que estas medidas mostrem a redução significativa do defícit?

Espero que sim ... mas racionalmente penso que não!

Os mercados não darão hipoteses e levando a taxa de juro para números impensáveis de Portugal poder pagar, mais medidas de austeridade virão.

Entretanto e até lá os sindicatos vão reinvidicar uma vitória histórica pelos números de adesão à greve, mas o próximo ano será muito pior ...

 

Amanhã veremos como decorre a minha tentativa de ida para o emprego ....

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